terça-feira, 25 de julho de 2017

Maternidade real ou maternidade infernal?

E aqui estou eu, desabafando sobre as tretas maternas haha...
Já escrevi sobre o lado bom do mimimi nos grupos de mães, e procuro sempre quebrar essa idéia de disputa entre mulheres, para ver quem é "menos ou mais", porque acho ridícula e só serve para desunir as mães.
Mas hoje preciso falar sobre os textos pesados, cheios de negatividade que tenho lido pela rede.
Acompanho muitas páginas e grupos sobre maternidade, adoro me atualizar sobre os assuntos e tal... Mas tem acontecido muito de encontrar posts que de tão "desconstruidores", chegam a ser pesados no sentido negativo, mesmo.
Acho que o cansaço tem me deixado sem paciência pra ler e acompanhar coisas muito complexas ou negativas sobre a criação de filhos. Ou a galera tem escrito muito mais sobre os problemas, não sei.
Só sei que de "maternidade real" a coisa toda tá escambando pra "maternidade infernal" rs.

Muita reclamação, muito textão, como se só existissem o 8 e o 80, do romance ao terror. E a gente sabe que não é assim, são momentos UPS and downs, como TUDO na vida, oras.
Fico triste, por exemplo, quando algumas mulheres acabam expondo seus filhos à situações complicadas, atribuindo a culpa por suas tristezas e frustrações na maternidade. Sendo que a maioria desses problemas está na falta da rede de apoio e na pressão da sociedade. Coisas que somente uma terapia poderia ajudar efetivamente. E tudo que a gente coloca na internet, fica lá pra sempre. Mesmo que se tente apagar.

Acho que me sinto assim justamente por ser uma criança que cresceu ouvindo certas coisas relacionadas às frustrações da minha mãe.
Hoje eu entendo (depois da terapia e de ser mãe) que eu não tive culpa de nada. A sociedade coloca um peso enorme nas costas das mulheres, em todas as áreas e principalmente na maternidade.
Mas precisei crescer física e emocionalmente para entender isso. E tenho certeza que muitos de nós, que passaram por algo parecido, carregamos esse sentimento de culpa pela infelicidade de nossos pais.
Eu não quero que meus filhos carreguem esse sentimento, nem nada parecido. Quero que eles leiam esse blog e meus posts no Facebook, e pensem "nossa, olha o que a mamãe descobriu nessa minha fase", ou "que legal que a mamãe registrou essas coisas aqui".
Quando leio certos desabafos, penso: "será que meus filhos iriam gostar se lessem isso? Será que pensariam que sua mãe teve coragem e liberdade pra dizer como se sentia, ou se sentiriam expostos e culpados por algo ruim?"
Esse post não terá uma conclusão. Não sou dona de nenhuma razão e não estou aqui pra condenar ninguém.
FALAR SOBRE A MATERNIDADE REAL É MAIS QUE NECESSÁRIO!
Mas me veio essa reflexão sobre os textões depressivos. Aliás, tenho pensado bastante nisso...

E se você estiver precisando de uma injeção de ânimo em um dia cansativo, dê uma lida nesse post aqui do Facebook que pode te animar ;)
https://www.facebook.com/maternagemnerd/posts/1073090462821329

sábado, 22 de julho de 2017

Sobre por que desisti da Consultoria em Amamentação

Antes mesmo de me formar no curso que fiz de Consultoria em Amamentação, procurei repassar os aprendizados que tive com outras mulheres, que também enfrentaram dificuldades, assim como eu.
Sendo assim, faz mais de 7 anos que estudo, pesquiso, vivencio e compartilho essas informações com outras mães. Tanto no blog quanto na página do Facebook e claro, com pessoas que vêm me pedir ajuda. E me sinto tão feliz com isso, que decidi fazer esse curso e seguir com a consultoria como um segundo trabalho.
MAS porém, entretanto, todavia, tive que passar por tantos desafios que decidi parar com a consultoria.
A verdade é que não tenho preparo para entender certas reações. E não posso de maneira alguma achar que as pessoas vão agir da mesma maneira que eu, quando precisei de ajuda e fui ajudada pelas meninas do GVA.
Eu estava aberta às informações delas. Deixei o ego de lado, assumi uma postura de aprendiz e fiz o que elas me recomendaram.
Só que não é assim com todo mundo.
Como a amamentação é 90% psicologia (só não é 100% porque tem mesmo a parte física da coisa toda: ductos, hormônios, etc) e eu não sou psicóloga, terapeuta e nem nada nesse sentido, "apanhei" algumas vezes e isso foi me desanimando muito.

E ainda que eu tenha conseguido retribuir de certa forma um pouco dessa ajuda que recebi, através das mães que consegui ajudar, o ápice da desmotivação aconteceu quando aquela mãe surtou e me ameaçou de agressão física, me xingando de nomes que nem dá pra pôr aqui. Vou resumir a história:
Ela me pediu ajuda porque a bebê não estava mamando direito, apesar dela ter muito leite. Conversamos bastante (ainda bem que salvei toda nossa conversa) e a bebê tinha sinais claros de confusão de bicos.
Orientei que ela fosse diminuindo o uso da chupeta até conseguir tirar completamente, dentre outras coisas (ela parecia desesperada) e de uma hora pra outra, simplesmente me deletou do Facebook.
Depois entendi que ela tinha feito uma compra grande de roupas e acessórios e dentre essas coisas estavam as chupetas novas. Mas até aí, não tenho absolutamente nada a ver com isso.
Só que fiz a besteira (apesar de ser de forma privada e no meu perfil pessoal) um post sem citar quaisquer nomes, dizendo algo como "poxa, perdi um tempão tentando ajudar e ganhei um delete". Foi aí que o bicho pegou, porque algumas amizades em comum comentaram o post ou curtiram, e essa moça acabou vendo. Tomou aquilo pra ela e literalmente surtou. Surtou ao ponto de ameaçar uma amiga minha que estava em repouso por causa da gravidez de alto risco.
Aquilo me marcou de várias formas. Primeiro, porque eu não esperava nenhuma dessas reações, vindas de uma pessoa que se dizia completamente desesperada para conseguir amamentar.
Segundo, porque eu procuro exercitar o máximo de empatia sempre, não consigo ver uma pessoa em sofrimento e não me comparecer. Acho que é aí que está meu problema.
Me visto do tal problema da pessoa, e depois me dou mal.
Além disso, foi na época do início do meu puerpério que isso aconteceu, eu já estava emocionalmente instável, e vi pessoas da minha lista de amigos que nada fizeram ou que curtiram os posts dessa pessoa, me ofendendo.
Fiquei triste, e ainda fico, porque não tenho coração de pedra. Sinto muito por essa mulher ter encarado as coisas dessa forma. Mas também não posso fazer mais nada.

Além de tudo, é uma "guerra" desigual:
Eu, uma mera consultora, falando A e o pediatra, aquele deus do conhecimento dizendo B, mesmo que o B seja sem embasamento real e patrocinado pela marca de fórmulas.

Enfim, vou continuar escrevendo sobre amamentação, promovendo ao máximo as informações, ajudando quem me procurar... Mas consultoria eu acho que só funciona mesmo com um profissional de saúde que trabalha em consultório (fonoaudióloga, por exemplo). Pelo menos enquanto a sociedade continuar endeusando pessoas em jalecos.

domingo, 9 de julho de 2017

Início de férias com emoção

Consegui tirar as primeiras semanas de julho, de férias, e ainda na sexta-feira tivemos que levar o Pietro no pronto-socorro.
Febre, vômitos, prostração… E um mau-humor acima do habitual (é, porque a fase da pré-adolescência precoce ainda não passou. Pelo contrário, deu uma trégua durante uns dias e depois voltou com tudo!
Mas enfim, fiquei hiper preocupada porque “só pra ajudar”, ele não aceita tomar remédio. Nem para a febre e nem para o vômito, então a luta tava tensa até irmos ao pronto-socorro e a pediatra mandá-lo para o soro. Foi a primeira vez que ele tomou soro na veia, nunca precisou antes.
Mas foi só o soro com a medicação começar a fazer efeito, que ele foi melhorando:

No início achei que fosse um suco de caixinha que ele tomou, e que tivesse dado intoxicação alimentar, já que ele não costuma tomar esse tipo de coisa. Mas a pediatra disse que intoxicação não dá febre né, então o diagnóstico foi enterovírus.
Ele teve contato com crianças doentinhas, e os sintomas variam bastante. Graças ao “santo leitinho materno” os sintomas são geralmente mais brandos. Eles até pegam essas viroses, mas nunca precisam tomar antibióticos ou algo mais forte.
Então viemos pra casa depois de vários exames: sangue, urina, dengue e raio-x do tórax com resultados normais. Ontem, domingo, ele ainda estava um pouco enjoado mas sem febre. Hoje já acordou bem melhor!

Hoje (dia 3/07) tivemos consulta de rotina na pediatra, que eu já tinha marcado (aproveito as férias pra fazer os check-ups) e apesar do Pietro ter perdido peso por conta dessa virose, ainda está dentro da curva pesando 20,4kg e medindo 125,5cm, com 7 anos e 10 meses.
A Cibele engordou e cresceu, está pesando 8,595 e medindo 76cm com 1 ano 2 meses.
Falando na Cibele, essa gatinha me aprontou uma “das boas” nesse último final de semana…


Como se não bastasse toda a preocupação com o Pietro, a Cibele começou a fazer pega errada em um dos meus peitos, porque tem um dente nascendo e acho que dependendo da posição dá vontade de esfregar a gengiva no meu peito. Resultado: ducto entupido!
Bebê não escolhe as coisas de caso pensado, tipo “minha mãe é consultora em amamentação, então vou fazer tudo certinho…” – Claro que não!
Então, passei o domingo massageando o peito, colocando compressas e fazendo ela mamar. Assim que ela sugou um pouco mais forte, desentupiu tudo e foi só alegria! Kkkkkkk!

Bom, é isso. Nosso primeiro final de semana das férias de Julho foi cheio de “emoções” e pepinos, e pra compensar tudo isso, hoje teve bolo de chocolate!

Massa básica de bolo Vegano:
2x chá de farinha de trigo
1x chá de cacau em pó (se for de chocolate, claro)
2c sopa de fermento
1x chá de açúcar
1/4 xícara de óleo
2x água
Misturar primeiro os ingredientes secos, depois o óleo e por último a água ou leite vegetal. Assar em forno médio por mais ou menos 35min.

sábado, 1 de julho de 2017

Amamentação em "livre-demanda": uma perspectiva transcultural


O aleitamento materno em livre (sob)demanda, é responder de forma flexível às sugestões de fome do seu bebê. Significa iniciar as mamadas quando o bebê as solicita e continuar cada mamada até que o bebê esteja satisfeito (solte o peito).
Investigações clínicas evolutivas e culturais sugerem que os bebês foram concebidos para se alimentarem sempre que demonstrarem vontade. As mulheres que vivem em sociedades industrializadas ocidentalizadas enfrentam problemas especiais que podem tornar a amamentação por livre- demanda mais difícil. A autora discute nesse texto sobre como os bebês são amamentados em outras culturas e sugere como as mães ocidentais podem aplicar essas lições para suas próprias vidas.

Por que a amamentação é uma boa idéia?

A produção de leite materno depende da freqüência de sucção. Quanto mais um bebê mama, mais leite o peito produz. Se um bebê suga menos freqüentemente, a produção de leite diminui. Por esta razão, o aleitamento materno sob demanda é a maneira ideal de manter a produção de leite da mãe em sincronia com as necessidades do bebê.
Nos primeiros dias de vida de um bebê, a alimentação através dos "sinais” ajuda a estabelecer um suprimento de leite adequado. Ela também ajuda recém-nascidos a recuperarem seu peso ao nascer mais rapidamente. Além disso:
• Os seios das mulheres variam na quantidade de leite que podem produzir em uma mamada;
• O conteúdo calórico do leite pode variar em função da hora do dia e da dieta da mãe na sua capacidade de extrair leite de forma eficiente;
• Bebês também variam em suas capacidades de estômago.
A amamentação em livre demanda permite que os bebês lidem com as peculiaridades de sua situação particular. Quando bebês são forçados a adotarem um cronograma rígido e cronometrado, têm dificuldade em mamarem o suficiente para se satisfazerem. Além disso, consultoras em lactação freqüentemente observam que os bebês que são deixados a chorarem para mamar - mesmo por alguns minutos - podem ficar perturbados e chateados. Isso torna difícil para eles fazerem a pega corretamente, diminuindo a eficiência de sucção.
Por estas razões, o aleitamento materno é recomendado por:
• Organização Mundial da Saúde
• A Academia Americana de Pediatria
• La Leche League


Outras razões
As novas recomendações pediátricas parecem inspiradas em grande parte por preocupações com a produção de leite e crescimento. Mas pode haver outras considerações.
A amamentação acalma e reduz a dor (Shah et al 2006).
Fornece aos bebês o contato pele-a-pele - uma prática que promove o apego materno-infantil (Moore et al 2007) e ajuda a regular a temperatura corporal e os níveis de glicose no sangue do bebê (Anderson et al 2003). O contato pele-a-pele também está associado a maiores taxas de crescimento da cabeça em prematuros (Rojas 2003).
Os bebês mostram sinais de redução do estresse durante a amamentação e Kerstin Uvnas Moberg, um eminente fisiologista e endocrinologista (MD, PhD), acredita que a amamentação pode aumentar os níveis de oxitocina nos bebês - o hormônio "do amor" (Uvnas Moberg, 2003).
Há até evidências de que a alimentação rígida e programada contribui para atrasos modestos no desenvolvimento cognitivo (Iacovou e Sevilha, 2013). A razão pode ser: falta de energia, estresse ou outros fatores - ainda não está claro.
Mas tudo isso sugere que o aleitamento materno sob livre demanda pode ajudar os bebês a regularem mais do que sua ingestão calórica.

Com que frequência - em média - os bebês se alimentam?
Conforme observado acima, os bebês variam - tanto como indivíduos como em todas as culturas. Alguns bebês mamam com muita freqüência - duas vezes por hora ou mais. No Ocidente, as mães que se deixam guiar pela vontade dos bebês podem não amamentar mais de uma vez a cada duas horas, o que levou alguns pesquisadores a questionarem se "amamentar sob livre-demanda" significa a mesma coisa em culturas diferentes.
Mas, independentemente da cultura em que vivem, parece claro que a maioria dos bebês precisa de alimentação muito frequente durante as primeiras semanas de vida.
Quando mais velhos, os bebês ocidentais geralmente se estabelecem em uma rotina de alimentação mais espaçadas, com algumas horas de intervalo entre uma mamada e outra.

Lidando com a exaustão
Novas mães descansam muito pouco e podem achar que a amamentação é exaustiva.
Em grande medida, trata-se de um problema transitório. Conforme os recém-nascidos se desenvolvem, são capazes de consumir mais leite em uma única mamada. Eles também se tornam mais "sintonizados" com os ritmos da vida diária.Por estas razões, os bebês requerem menos alimentação em geral - e menos alimentação noturna - com o passar do tempo.
Mas sabendo que sua vida vai melhorar 4-6 semanas após o nascimento não faz a fase recém-nascido menos exaustiva. E eu acho que é justo dizer que as mães ocidentais enfrentam problemas especiais que tornam a amamentação mais difícil. Aqui vamos analisar algumas das práticas culturais que ajudam as mães não-ocidentais a estabelecerem e manterem a amamentação sob livre-demanda.

Práticas não-ocidentais que apóiam o aleitamento materno em livre- demanda
Amamentar sem relógio
Nossos ancestrais caçadores/cultivadores não cumpriam horários estritos. Nem a maioria das pessoas em toda a história humana. As pessoas sempre tiveram trabalho a fazer, mas não tinham relógios e seus dias de trabalho variavam de acordo com a estação e as tarefas que tinham de realizar. A idéia de se reportar ao trabalho todos os dias exatamente ao mesmo tempo - e colocar as mesmas horas inflexíveis - está associada à industrialização ocidental.
Novas mães forçadas a manter um cronograma rígido, restringindo seu sono a certas horas da noite, aderindo a prazos rígidos e compromissos, obviamente, fica mais difícil ter tempo para a amamentação em livre- demanda.

Horários de sono flexíveis
O modelo ocidental de sono - em que você se deita no mesmo horário todas as noites e dorme por 7-8 horas contínuas - é outra singularidade transcultural. Antropólogos e historiadores documentaram um padrão muito diferente de sono em outras culturas (Worthman e Melby, 2002; Ekirch). Pessoas que vivem sem luz artificial têm sono melhor. E raramente consolidam seu sono em um longo intervalo. Em vez disso, eles dormem por intervalos mais curtos em diferentes momentos ao longo do dia e da noite.
Por exemplo, caçadores-coletores - como os Kung san da África do Sul e os Efe da África Central - não têm horário de irem pra cama e vigília fixos, e as pessoas tendem a cochilar oportunamente (Worthman e Melby, 2002).
Este estilo oportunista do sono pode ser a norma para nossa espécie. E é certamente mais descritivo de como os bebês dormem, do que é o modelo ocidental.
O modelo ocidental de sono coloca os pais em grande desvantagem. Os horários de sono ocidentais são relativamente inflexíveis.Se você perde a chance de dormir durante as horas alocadas, você fica prejudicado. A programação rígida faz com que o aleitamento materno seja mais difícil, especialmente nas primeiras semanas em que os bebês necessitam de mamadas frequentes.

Co-sleeping, ou dormir junto
Outras características peculiares da cultura ocidental são o sono solitário e a prática de deixar bebês para dormir em berços. Quando bebês e mães dormem separados, a alimentação noturna torna-se muito perturbadora. Normalmente, tanto a mãe como o bebê ficam completamente despertam, fica difícil a retomada do sono.
Mas na maioria das culturas não-ocidentais, as pessoas dormem com outras pessoas (Worthman e Melby, 2002). Os bebês não são deixados sozinhos.
Em uma recente revisão intercultural de práticas de cuidados infantis em sociedades não-industrializadas, os pesquisadores descobriram que os bebês compartilharam camas com os pais em 23 das 26 sociedades pesquisadas (Severn Nelson et al 2000). Uma análise anterior, mais extensa de 90 culturas, não encontrou casos em que mães e bebês dormissem em salas separadas (Barry e Paxton, 1971).
Quando as mães e os bebês dormem juntos, a amamentação em livre demanda (ou sob demanda) torna-se muito menos perturbadora do sono materno. Isto é particularmente verdadeiro quando as mães e bebês dormem na mesma cama. O bebê acorda à noite, e é alimentado ali mesmo - na cama - enquanto ambas as partes estão deitadas. Ambos nunca precisam despertar completamente do sono (McKenna e Bernshaw, 1995).

Baby-wearing, usando carregadores como o Sling
Ocidentais tendem a deixarem seus bebês em berços, espreguiçadeiras, assentos de carro ou parques durante grande parte do dia. No resto do mundo, essas práticas são incomuns. Pesquisas em outras culturas revelam que a maioria dos bebês são carregados ao longo do dia (Barry e Paxton, 1971), Nas sociedades de caçadores-coletores - e em sociedades encontradas em climas quentes - o "baby-wearing" se distingue ainda pelo contato pele-a-pele (Konner 2006).
Como resultado, as mães têm mais oportunidades de "ler" os sinais de seus bebês, e os bebês estão sempre perto do peito. Em alguns casos, os bebês têm acesso fácil ao peito nu, permitindo que os bebês comecem a se alimentar por conta própria.

Ajudantes (rede de apoio)
À menos que paguem por isso, mães ocidentais com bebês recebem relativamente pouca ajuda. Novas mães são freqüentemente isoladas de suas famílias, e carecem de relacionamentos próximos com seus vizinhos. Como resultado, elas deixam de receber
• Conselhos (úteis) sobre amamentação
• Conselhos (úteis) sobre criação de crianças
• Cuidados com as crianças e de emergência
Isso significa mais estresse e mais trabalho - e mais dificuldade para amamentar sob demanda. Em contrapartida, as mulheres que vivem em grupos de sociedades não-industriais – recebem ajudas substanciais. Numa sociedade como a  (o Efe da África Central), esta ajuda se estende até incluir mulheres que fornecem aleitamento suplementar a outros recém-nascidos de mulheres (Tronick et al 1987).

Solidão pós-parto
Numa vasta gama de locais, desde o Sudeste Asiático (Jambunathan 1995) até a China (Raven et al 2007), até Marrocos (Westermark 1926), as mães podem passar os primeiros 30-40 dias com o recém-nascido em reclusão pós-parto. Durante este tempo, as mães não são permitidas (se não completamente proibidas) de fazer a maioria do trabalho, com exceção da amamentação. Amigos ou parentes (geralmente a mãe da mãe ou sogra) ajudam com o trabalho doméstico e preparação de alimentos.
A reclusão pós-parto não é necessariamente um piquenique. As culturas podem impor rituais e tabus que as mães podem achar restritivas (Leung et al 2005). Mas a ajuda que as mães recebem provavelmente torna o aleitamento materno sob demanda menos difícil.

Naturalização da amamentação
Para mães ocidentais, o aleitamento materno sob demanda pode ser particularmente difícil quando saem de casa. Muitos ocidentais ficam desconfortáveis em torno da amamentação, e poucos lugares públicos fornecem o espaço para que as mães amamentem discretamente.
O problema parece derivar de comportamentos sexuais ocidentais. Ocidentais podem dar por certo que o peito é um objeto de interesse erótico. Amamentar, portanto, parece um pouco ousado. Mas não há nada de natural nessa associação. Na maioria das culturas, os seios são vistos em termos de sua função primária: órgãos para produzir leite. Em um estudo multicultural, os seios foram considerados sexy em apenas 13 das 190 culturas pesquisadas (Ford e Beach, 1951).
A antropóloga Katherine A. Dettwyler argumenta que as atitudes americanas em relação à amamentação são fortemente influenciadas pela noção de peito "sexy". Em seu excelente artigo, "Beleza e peito: o contexto cultural da amamentação nos Estados Unidos (Dettwyler 1999), Dettwyler contrasta as atitudes americanas com as de várias culturas não-ocidentais: em lugares como o Mali ou o Nepal, os seios das mulheres não são sexualizados e as mulheres cuidam de seus bebês em público sempre que o bebê está pronto para se alimentar. Não há nada de sexual e nada embaraçoso ou estranho sobre isso.

Aleitamento materno sob demanda: Fazendo dar certo

As atitudes e práticas culturais ocidentais podem não ser particularmente favoráveis à amamentação em lvre demanda. Mas entender como a amamentação funciona no mundo não-ocidental sugere maneiras para que as mães ocidentais possam lidar melhor. Aproveite estas informações para melhorar sua experiência de amamentação.

Referências:
Breastfeeding on demand
Anderson GC, Moore E, Hepworth J, Bergman N. 2003. Early skin-to-skin contact for mothers and their healthy newborn infants (Cochrane Review). In: The Cochrane Library, Issue 2 2003. Oxford: Update Software.
Barry HI and Paxton L. 1971. Infancy and early childhood: Cross-cultural codes 2. Ethnology 10: 466-508.
Dettwyler KA. 1995. Beauty and the breast: The cultural context of feeding in the United States. In: Breastfeeding: Biocultural perspectives. P. Stuart-Macadam and KA Dettwyler (eds). New York: Aldine deGruyter.
Ekirch AR. 2005. At Day's Close: Night in Times Past. New York: W.W. Norton and company.
Ford CS and Beach FA. 1951. Patterns of sexual behavior. New York: Harper and Row.
Iacovou M and Sevilla A. 2013. Infant feeding: the effects of scheduled vs. on-demand feeding on mothers' wellbeing and children's cognitive development. Eur J Public Health. 23(1):13-9.
Konner M. 2005. Hunter-gatherer infancy and childhood: The !Kung and others. In: Hunter-gatherer childhoods: Evolutionary, developmental and cultural perpectives. BS Hewlett and ME Lamb (eds). New Brunswick: Transaction Publishers.
Jambunathan, Jaya. 1995 Hmong Cultural Practices and Beliefs. The Postpartum Period. Clinical Nursing Research. 4(3): 335-345.
Leung SS, Arthur D, and Martinson AM. 2005. Perceived stress and support of the Chinese postpartum ritual “Doing the month." Health care for women international 26: 212-224.
McKenna JJ and Shaw NJ. 1995. Breastfeeding and infant –parent co-sleeping as adaptive strategies: Are they protective against SIDS? In: Breastfeeding: Biocultural perspectives. P. Stuart-Macadam and KA Dettwyler (eds). New York: Aldine deGruyter.
Moore ER, Anderson GC, Bergman N. 2007. Early skin-to-skin contact for mothers and their healthy newborn infants. Cochrane Database Syst Rev. 18(3):CD003519.
Raven JH, Qiyan C, Tolhurst RJ and Garner P. 2007. Traditional beliefs and practices in the postpartum period in Fujian Province, China: a qualitative study. BMC Pregnnacy and Childbirth 7:8
Rojas MA, Kaplan M, Quevedo M, Sherwonit E, Foster LB, Ehrenkranz RA, Mayes L. 2003. Somatic Growth of Preterm Infants During Skin-to-Skin Care Versus Traditional Holding: A Randomized, Controlled Trial. J Dev Behav Pediatrics 24(3):163-168.
Severn Nelson EA, Schiefenhoevel W, and Haimerl F. 2000. Child care practices in nonindustrial societies. Pediatrics 105: 75-79.
Shah PS, Aliwalas L, and Shah V. 2007. Breastfeeding or breastmilk to alleviate procedural pain in neonates: a systematic review. Breastfeeding medicine 2:74-82.
Tronick EZ, Morelli GA and Winn S. 1987. Multiple caretaking of Efe (pygmy) infants. American Anthropologist 89: 96-106.
Uvnas Moberg K. 2003. The oxytocin factor. Cambridge, MA: deCapo Press.
Westermarck, E. 1926. Ritual and Belief in Morocco, Volume II. London: Macmillan and Company.
C.M. Worthman and M. Melby. Toward a comparative developmental ecology of human sleep. In: Adolescent Sleep Patterns: Biological, Social, and Psychological Influences, M.A. Carskadon, ed. New York: Cambridge University Press, pp. 69-117.
Content last modified 2/2014
Traduzido para o português de: http://www.parentingscience.com/breastfeeding-on-demand.html#sthash.Z5Pkjlhm.dpuf

terça-feira, 20 de junho de 2017

Uma geração melhor de pais, ou só umas "antas" conectadas?

Em primeiro lugar, gostaria de começar esse post me desculpando pelo sentido pejorativo aplicado aqui, às antas. Como defensora dos animais, confesso que não gosto de usá-los para expressar coisas no sentido negativo.
Apesar de tudo, a intenção é chamar a atenção pra uma coisa que tem me incomodado já há algum tempo, me fazendo até pensar na possibilidade de fechar o blog, a página no Facebook, tudo.
Após um dia cansativo de trabalho, finalmente consigo colocar as crianças na cama e vou ver as redes sociais (Facebook, Instagram...). Vou rolando o Feed e vejo vários posts sobre maternidade associados à coisas negativas. "Desabafos", lamentações, exposições de fraquezas ou problemas de atraso psicólogico em crianças (ou seja, problemas que não são propositais), etc etc etc.
Acabo ficando mais "pra baixo" do que quando só estava cansada, porque agora além do cansaço físico também fico deprimida.
Já comentei lá no Facebook que acho MARAVILHOSO que essa coisa da romantização da maternidade acabe. Precisamos muito falar sobre a maternidade real.
Mas começo a pensar: até que ponto alguns tipos de postagens são realmente positivas pra nós mães e pais, e ao mesmo tempo traumáticas nas vidas dos nossos filhos?
Antigamente, os pais tinham menos acesso às informações de qualidade, mas também não tinham acesso à internet e redes sociais.
Hoje em dia, por exemplo, procuramos oferecer uma alimentação balanceada às crianças. Por outro lado, os expomos pro mundo todo via internet. Postamos vídeos e fotos deles se lambuzando ou fazendo careta pra comida.
Daí vem meu questionamento: Será que somos uma geração melhor de pais, ou só somos umas "antas" conectadas pela internet?
Eu mesma faço isso. Escrevo aqui no blog contando sobre coisas dos meus filhos que não sei se vão gostar de ler quando crescerem. Não sei se eles vão pensar "Pôxa mãe, você contou que eu tive medo do monstro de Stranger things", ou "nossa mãe, você contou que eu tive tal coisa pra todo mundo ficar sabendo?!"
Pensando nisso, eu me sinto pior que uma anta. Coitada da anta.
Daí vejo textos com títulos como "odeio ser mãe" e penso em como me sentiria se soubesse que minha mãe tivesse escrito ou compartilhado algo assim 😨
Não sei se me sentiria feliz por saber que ela se sentiu livre pra se manifestar... Ou se me sentiria da mesma forma quando ela, no calor de uma discussão, me jogou na cara suas frustrações. Não sei.
Só sei que preciso ver menos minhas redes sociais, talvez. Desativar umas atualizações, ler menos textões... E pensar umas 10x antes de postar algo sobre os pequenos.
Porque as palavras ditas, podem até ser esquecidas, relevadas... Mas as escritas ficam aí, pra sempre. Mesmo que a gente tente apagar.
Preciso meditar sobre isso.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Convivência entre crianças e animais: da saúde, lições e uma vida mais colorida!

Eu, particularmente, respeito totalmente quem opta por não ter animais em casa.
Geralmente, essas pessoas alegam que não têm espaço, tempo ou dinheiro para arcar com os gastos e isso é sinal de que são pessoas conscientes de que ser tutor de um animal exige cuidados para uma vida inteira (cerca de 20 anos se for um cachorro ou gato).
Mas não consigo imaginar minha vida sem meus companheirinhos de patas, e nem as vidas dos meus filhos. Vou explicar o por que:
Sempre fui uma criança alérgica. Tenho rinite alérgica, e meu irmão também. Nosso sonho, como de qualquer outra criança, era de ter um cachorrinho ou gatinho em casa, mas nossos pais não deixavam justamente por causa da alergia.
Um dia, fizemos tanta chantagem emocional que conseguimos trazer uma cachorrinha pra casa, que estava abandonada na rua.

Ela era inteira preta e meu pai não teve dúvidas: colocou o nome nela de Branca rsrs...
Ficamos muito felizes com a Kinha (eu a chamava assim) e vivemos 16 anos com esse anjo em nossa casa.
Anjo, porque toda vez em que ela me ouvia chorar, entrava em casa desesperada e ficava ao meu lado.
Teve até uma vez, durante um assalto, em que ela só não avançou no assaltante armado porque estava do lado de dentro do portão.
A Branca daria a vida dela para salvar a nossa, disso tenho certeza.
E como foi dura a despedida, quando ela desencarnou...

[Vou abrir parênteses aqui pra contar uma coisa interessante que aconteceu na noite do meu aniversário do ano em que a Kinha faleceu, 2008:
Nessa noite, sonhei que meu avô materno também já falecido, a trouxe pra me dar "feliz aniversário". Abracei e beijei a Kinha, e acordei muito feliz!] 


Depois que saí da casa dos meus pais, tive meu primeiro gato.
Sempre adorei gatos, mas imagine se uma "rinitenta" como eu poderia ter gatos em casa? Pois dá pra acreditar que foi a partir daí que a minha rinite melhorou MUITO?
Casei-me com um "cachorreiro" e formamos nossa família com nosso filho e nossos "filhos de patas".
O Pietro não sabe o que é uma casa sem animais. Quando ele nasceu já tinhamos cachorros e gatos.
E assim como foi com ele, agora a Cibele também está aprendendo muito com os animais.
As crianças aprendem a fazer carinho sem machucá-los, aprendem a ter responsabilidade colocando a ração e água, aprendem até que é importante manter a limpeza e a ordem nas coisas.
E o mais importante: aprendem a respeitar a natureza.
Aprendem que os animais também sentem medo, fome, dor. Que não são produtos ou objetos. São seres especiais que convivem com a gente e precisam de muito carinho e respeito.

Vejo algumas pessoas querendo se livrar de seus animais quando viram pais, e penso que além disso ser um crime, também é um péssimo exemplo para as crianças.
Se a "razão" for alergia ou problemas de saúde, hoje em dia já sabemos que a convivência com animais é comprovadamente benéfica para crianças:

  • 9 benefícios que bichos de estimação trazem à saúde
De reduzir estresse até detectar câncer, animais podem ser muito benéficos à saúde, segundo pesquisas
http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/9-beneficios-que-bichos-de-estimacao-trazem-a-saude/

  • Conviver com animais é ótimo para a saúde da criança
Animal doméstico ajuda no desenvolvimento emocional e afetivo, fortalece sistema imunológico e ensina lições de responsabilidade à garotada
http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2013-11-23/conviver-com-animais-e-otimo-para-a-saude-da-crianca.html

  • Convívio com animais favorece sistema imunológico e reduz estresse
Acariciar um cão pode elevar os níveis de anticorpos que evitam a proliferação de vírus e bactérias
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/convivio_com_animais_favorece_sistema_imunologico_e_reduz_estresse.html

  • The Benefits of Children Growing Up With Pets (Os benefícios de crianças que crescem com animais de estimação) em inglês
http://www.huffingtonpost.com/dr-gail-gross/the-benefits-of-children-growing-up-with-pets_b_7013398.html

Esses são só alguns exemplos.
Hoje, escrevendo esse texto, posso dar meu testemunho de outro exemplo muito importante sobre o quão importante é a convivência com animais.
O luto. Aprender a lidar com a questão da morte é uma das lições mais importantes na vida (irônico, não?)
Alguns pais têm dúvidas ou até evitam ter animais em casa, com a intenção de poupar as crianças de terem que lidar com uma eventual e inesperada morte.
Eu vejo essa situação como uma lição preciosíssima desses seres de luz.
Hoje mesmo estamos vivendo o luto de "perder" nossa gata Nyna, depois de anos de convivência.
Poderíamos ter evitado contar ao Pietro, mas... Em algum momento da vida dele, ele terá que vivenciar o luto, a sensação de perda, a tristeza.
Então preferimos conversar com ele e explicar que a Nyna teve que fazer a passagem, mas que os animais têm um lugar muito especial além daqui, pra onde seus espíritos vão depois que saem de seus corpos.
Daí falei sobre nossos outros companheirinhos que já fizeram a passagem, inclusive a minha cachorra Kinha.
Ele quis "se despedir" da Nyna, viu o corpinho dela antes do rapaz do cemitério de animais vir buscá-la. Chorou, me abraçou... E "experimentou" o sentimento de luto, do jeito dele.
Até que ponto "poupar" nossos filhos de algo tão natural da vida é também positivo?
Precisamos falar sobre morte. Precisamos pensar, falar e manifestar nossos sentimentos sobre ela. Esconder, privar, guardar só vai tornar as coisas mais difíceis quando tivermos que lidar com isso.

Há uns meses atrás, um parente tentou me insultar dizendo que minha casa fedia a xixi de gato, disse que tinha nojo de ver os gatos passando, e um monte de outras coisas que a gente nunca imagina que vai ouvir de aguém, ainda mais de uma pessoa da família.
Mas essa pessoa é tão digna de pena, por ter uma vida tão fria e vazia, que não me atingiu como queria.
É lógico que fiquei muito triste com essas palavras, mas aquilo tudo só evidenciou a falta de amor que ela tem na vida dela. É muito provável que, se tivesse exercitado o amor puro que um animal oferece, não seria um ser humano amargo.

Enfim, encerro esse post agradecendo à Mãe Natureza por todos os "anjos de quatro patas" que passaram e estão em nossas vidas, e as tornam muito mais coloridas!
E se decidir ter um companheirinho em casa, não compre. Existem centenas deles para adoção, que com certeza retribuirão com o amor mais puro.

ONGS de adoção de animais



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Trabalhando em home-office com duas crianças em casa

Quem me acompanha aqui no blog, sabe que trabalho em uma empresa de tecnologia e que nessa empresa existe a possibilidade de fazermos home-office, ou seja, trabalhar online de casa.
Apesar de não ser minha "modalidade oficial" de trabalho, posso trabalhar de casa duas vezes por semana, e isso é ótimo. Aliás, maternidade e home-office são coisas que combinam demais, mais até do que Romeu e Julieta, Eduardo e Mônica, Tico e Teco...
Porque a gente NECESSITA de flexibilidade para dar conta tanto da profissão, quanto dos cuidados com as vidas dos serumaninhos que dependem de nós. É uma dependência temporária (ok, leva alguns anos mesmo) mas esses primeiros anos são essenciais. E nem estou falando das inúmeras comprovações científicas sobre o vínculo nos primeiros anos de vida - mentira, estou falando disso sim!


Infelizmente, essa não é a realidade da maioria das mães brasileiras que (também) trabalham fora de casa. E eu, particularmente, não sei se teria tido a Cibele se não tivesse essa oportunidade.
Eu me cobro bastante como mãe, e além disso minha renda é a maior. Apesar do meu marido trabalhar muito, dar muitas aulas e ainda tocar de noite e nos fins de semana, ele é um músico instrumental em um país que não valoriza esse tipo de arte. Vamos ser realistas, né gente?

Mas e então como faço pra conseguir trabalhar quando estou em home-office e com duas crianças? 
Bem, quando o Pietro era mais novinho, eu fiquei oficialmente por um bom tempo trabalhando de casa. Esse período me rendeu a experiencia de saber organizar minha rotina e divisão de tarefas com o marido, que também tem uma rotina um tanto flexível com as aulas dele.
Agora que o Pietro está maior (eis uma das maiores belezas de ter filhos com bastante diferença de idade rs) acaba me ajudando a ver se a Cibele está mexendo com algo perigoso, ou se entretém com seus desenhos, jogos... Ou seja, não demanda tanta atenção durante meu expediente porque entende que estou ocupada e até tenta me ajudar.
Já a Cibele, fica no meu colo. Nessa hora o sling entra em cena, o peito com mamá, as brincadeiras com o irmão, o colo do pai... E os dois frequentam a mesma escola no período da tarde, então só quando eles não vão à escola é que preciso entretê-los e desapegar da organização da casa.
Jogo os brinquedos deles no chão perto de mim, deixo a TV ligada nos desenhos, e deixo a arrumação para depois das 18h.

Pia cheia de louça, sala bagunçada... Mas o trabalho e as crianças vão muito bem, obrigada!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Por que eu NÃO sou e nem quero ser uma "Super Mãe"

Essa imagem de "super mãe" me assusta um pouco.
Vou explicar por que, mas primeiro vamos pensar em como seria uma super mãe? O quê vem à sua cabeça?

A "super-mãe" é multitarefas. Faz tudo, dá conta de tudo sozinha sem a ajuda de ninguém. Ela tem super-poderes!
A super-mãe não reclama, não se cansa. Faz todas as tarefas com um sorriso no rosto. Não falha nunca!
É forte por dentro e por fora, não erra.
A super-mãe não precisa de rede de apoio. Sozinha, ela já sabe o que tem que fazer e como faz. E faz tudo certinho!

Eu não sou uma super-mãe, uma heroína. E nem tenho a intenção de ser. Sabe por quê?
Porque não é essa imagem enganosa que quero passar aos meus filhos. A vida não é assim.
Todos nós, seres humanos, podemos errar e aprendermos com isso.
Eu não dou conta de tudo sozinha, não! Preciso dividir as tarefas com meu companheiro, e preciso da ajuda de todos para conseguir executar minhas tarefas diárias.
Eu erro, e muito. Aprendo com meus erros, mas também sofro, choro... Tenho dias ruins, em que me sinto pior que um verme. E quem não tem?
Reclamo, xingo. E também agradeço pela oportunidade de ser importante pra alguém nessa vida.
Mas estou aqui para aprender, assim como meus filhos. E eles também vão ter dias ruins, vão sofrer (infelizmente não podemos evitar) mas se eles tiverem a certeza de que é errando que se aprende, e que TUDO BEM não estar sempre sorrindo, acho que as dificuldades podem ficar "menos pesadas".

Pra mim, heróis e heroínas são aquelas pessoas que, na pior das dificuldades, conseguem alcançar a superação. E eu - quem sou eu? - pra me considerar uma heroína apenas por ser mãe?
Sobrecarregar mulheres com tarefas e responsabilidades não é nada legal.



terça-feira, 28 de março de 2017

Rebeldia precoce "sem causa", o fim do primeiro setênio.

Que saudade de escrever aqui no blog!
Apesar de não fazer tanto tempo assim (a última postagem é do início do mês), nesses últimos dias tenho sentido uma vontade muito grande de escrever. O "problema" é que o dia só tem 24 horas, e estou ocupada com outras coisas na maior parte delas, ou tentando dormir nas horinhas que me restam entre as 23h e as 7h da manhã rs.
A Cibele ainda acorda umas quatro vezes pra mamar de madrugada. Eu percebo que ela está procurando o peito, viro pro lado, encaixo o peito na boquinha dela e volto a dormir rs. SANTA CAMA-COMPARTILHADA!
Mas enquanto os bebês são novinhos, o comportamento deles é puramente instintivo: fome, peito, colo, cocô, xixi, dormir, chorar...
Com o tempo, o cérebro vai se desenvolvendo e com ele vão surgindo "os grilos". Ou seja, as coisas vão se complicando.
Porque se antes era tudo instintivo e simples, agora vai ficando cada vez mais complexo.
Estou dizendo isso, porque o Pietro tem nos desafiado em TODOS os sentidos.
Lembram daquele dia em que a vizinha bateu em casa? Pois é.
Nossos dias têm sido muito desafiadores, e eu tenho que confessar que às vezes perco a cabeça. Daí sou eu quem volta ao "comportamento instintivo" e primitivo de querer ganhar respeito no grito.
E é tão difícil ser civilizada quando se tem um histórico de agressividade... É uma batalha diária contra si mesma e contra sua história.
A gente sempre procura resolver as coisas no diálogo. Mas ultimamente esse diálogo tem sido em um volume muito alto e carregado de stress.
É aquela coisa que eu mencionei no início: o cansaço da rotina, as poucas horas de descanso e os muitos afazeres.
somos humanos. Somos animais. Animais-humanos mamíferos e racionais, mas que perdem um pouco da racionalidade em algumas situações e brigam.
Brigam sim. Quem não briga?
O Pietro NUNCA vai tomar banho na hora em que pedimos. Nunca. Aliás, acredito que ele tenha aversão à fazer as coisas na hora em que é mandado.
Falta bater? Castigar? Tirar todos os divertimentos?
Tudo isso vai resolver?
Não temos a resposta.
Conversamos, explicamos, pedimos. Mas a rebeldia é que é "a graça".
"Já vou!" - Perdemos as contas de quantas vezes já escutamos essa frase.
Às vezes tenho vontade de deixá-lo sem tomar banho, só pra ver até onde isso vai. Será que daí algum vizinho bate lá em casa, pra saber por que o menino tá imundo? rs.
Pior que ele não fica imundo, ele acaba tomando banho e fazendo as coisas, mas tem que dar uma briguinha antes, senão não tem graça.
Ele é um menino inteligentíssimo, além de lindo. Algum defeito tinha que ter rs.
No fundo a gente sabe que têm sido grandes mudanças.
Ele foi promovido à irmão mais velho, os dentes começaram a cair, teve que mudar de escola... E a forma dele expressar algo sobre essas mudanças tem sido assim, através da rebeldia.
Cansa, viu. Não é fácil, não. Mas quem disse que seria fácil, não é?

Filho, a vida lá fora não te pede as coisas com tanto amor.

domingo, 5 de março de 2017

Informação para todas: de quem é o interesse?

Outro dia li que o governo deveria fazer mais propagandas sobre amamentação, informar mais (não só as mães) mas os profissionais também. E concordo plenamente com isso, mas fiquei pensando e gostaria de convidá-las a refletir comigo:

  • Quantas indústrias deixariam de lucrar se o aleitamento materno no Brasil fosse efetivo, e aumentássemos essa média de míseros 54 dias para até dois anos ou mais?
  • Imagine se a grande maioria das mulheres estivesse ciente de que pode e consegue amamentar, e dispensasse o tal "complemento" desde a maternidade. Se a grande maioria fosse ciente de que a fórmula (assim como a cesariana) existe somente para casos extremos?
  • Imagine se parassem de comprar pomadas e protetores de silicone, porque sabem que o melhor "remédio" para curar as fissuras é passar o próprio leite nos mamilos e deixar a pele respirar? (é de graça e super ao alcance)
  • Imagine as mães de bebês com APLV dispensando aquela fórmula que custa em média R$200 por lata, porque sabem que se fizerem a dieta restritiva por um tempo, podem continuar oferecendo o que a natureza tem de melhor para os alérgicos: o leite materno.
  • Imagine a maioria das mães deixando de comprar engrossantes, farinhas lácteas, etc  porque estão empoderadas o suficiente para saber que seus bebês irão engordar proporcionalmente à estrutura física da família? 

Esses são somente alguns exemplos básicos. A gente ainda poderia pensar no rombo que a  indústria farmacêutica teria com bebês e crianças que quase não ficam doentes porque foram amamentados (se ficam é geralmente coisa simples de ser curada), e até - olhem só - pessoas que chegarão na idade adulta com maior probabilidade de terem uma saúde melhor, tanto física quanto mental e emocional.
Imaginem, minha gente, só imaginem. Entendem agora porque é que não temos toda essa informação acessível?

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